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25/08/2017 Comerciantes que encomendavam produtos roubados são presos no Rio

 Jornal Nacional mostra com exclusividade gravações das conversas da quadrilha.  Estado do Rio registrou em julho média de 30 roubos de carga por dia.

 

O estado do Rio registrou, em julho, a média de 30 roubos de carga por dia. Nesta quinta-feira 24/08, a polícia prendeu comerciantes que se associaram aos ladrões para encomendar mercadorias roubadas.

O segredo do mercadinho para vencer a concorrência foi revelado. O dono está entre os presos, nesta quinta-feira (24), acusado de comprar produtos roubados para revender. A polícia foi para as ruas depois de uma investigação que durou oito meses e que monitorou as conversas da quadrilha.

 

José Lúcio Araújo da Silva: Entrou carne lá na Pedreira. Só que tu só vai poder apanhar cinco horas da tarde.
Wallace Emidio da Rocha: Caraca.
José Lúcio Araújo da Silva: Carne de primeira... É. Carne de primeira... Eu já tive lá. Acabei de vir ainda agora. Eu mandei separar 50 caixinhas lá. Vai querer alguma coisa?
Wallace Emidio da Rocha: É o que? É contra (filé)?
José Lúcio Araújo da Silva: É contra. Aí ele vai ligar pra mim daqui a pouco, que é muita gente querendo.

 

Em julho, o Jornal Nacional já tinha mostrado que as cargas roubadas eram vendidas em feiras livres. Agora, a polícia chegou aos donos de pequenos comércios em vários bairros do Rio e em cidades da Baixada Fluminense. Eles se associaram a ladrões de carga.

Os comerciantes podiam pedir produtos específicos. Na prática, encomendavam um roubo. Só que uma gravação mostra que na hora de pegar cerveja o interessado chegou tarde.

 

Wallace Emidio da Rocha: Ah, foi cedo. Foi ainda agora, não sei se tem mais, não. Mas eu queria.
Homem não identificado: Vou dar um pulinho lá. Vou dar um pulinho lá.
Wallace Emidio da Rocha: Queria umas... umas 500 caixas.

Em outras vezes, os comerciantes recebiam ofertas do que já tinha sido roubado.

Wallace Emidio da Rocha: Caixa de coxão mole, quer não?
Homem não identificado: Não, carne... Eu peguei alcatra. Peguei duas caixas de alcatra.

 

As cargas eram levadas para depósitos e de lá distribuídas para os comerciantes envolvidos. Em uma casa funcionava um frigorífico clandestino. Tinha iogurtes e outros produtos perecíveis. A maioria com validade vencida, mas isso não era problema. A polícia encontrou carimbos que os criminosos usavam para adulterar a data e ganhar mais tempo para revender os itens roubados.

A investigação mostrou que existia uma relação de muita confiança entre os comerciantes e os ladrões, tanto que tinha até pagamento antecipado. Os assaltantes recebiam antes de entregar as mercadorias e antes de o roubo acontecer. Certeza de que não faltariam interessados na compra.

O delegado lembra que quem compra produto roubado também comete crime. “O cidadão deveria ter noção, porque ele compra em um preço bem aquém, bem abaixo do valor de mercado. Então, na verdade, ele tem que imaginar que ele está comprando uma mercadoria supostamente roubada”, diz o delegado Fábio Asty.

Em abril, os policiais conseguiram prender três homens no momento em que eles tiravam a mercadoria de um caminhão roubado e passavam para outro. A polícia descobriu que o roubo ia acontecer porque ouviu uma conversa na véspera.

 

Antonio Rodrigues Carneiro: É, vai vir um danone amanhã e talvez sexta-feira... Sexta não, porque é feriado. Quinta-feira vai vir um frango.
Alexandre Monteiro de Souza: Está beleza.

 

A polícia está investigando agora grandes redes de lojas e supermercados que usariam o mesmo esquema e também estariam por trás de cenas como a que a Globo mostrou ao vivo em fevereiro: um caminhão que transportava doces sendo roubado. Naquele dia, a polícia também gravou um dos envolvidos que ainda está sendo investigado.

 

Almir Rogério de Souza Tinoco: Viu o bagulho da reportagem na Globo?
Wallace Emidio da Rocha: Vi.
Almir Rogério de Souza Tinoco: Eu tava lá.
Wallace Emidio da Rocha: Ah, tava lá?
Almir Rogério de Souza Tinoco: Tava lá na hora do caminhão vermelho, lá. Tinha barra de chocolate, bombom, ovo de Páscoa. Tudo quanto era coisa de chocolate de Páscoa. “Os cara" tava vendendo a caixa a 20 "conto". (...) Ovo de Páscoa lá, que “nego” vai... que eles vão jogar a 40 "conto" na loja, eles tava vendendo a caixa lá por 20 "conto" com seis "unidade".
Wallace Emidio da Rocha: Tá bom. Tá tranquilo. Valeu, valeu.

 

 

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